Finalmente estou em minha casa. Estou livre! Completamente liberta de tudo o que me prendia naquela boate. Estou cansada do barulho, da agitação, dos mesmos homens bêbados, mas hoje foi tão diferente, hoje foi literalmente azul. Nossa! Como posso ter sido tão inconsequente em aceitar a carona de Gustavo, os "meus" olhos azuis furtivos. Eu não deveria ter aceitado. Foi um erro. Agora ele sabe onde moro. E se ele for perigoso? Mas será? Acho que não. O que ele queria com uma garota dançarina que não tem onde cair morta? Contudo foi tão lindo, suas mãos com aqueles dedos longos enfiando cada vez mais nos meus cabelos. Percebi o quanto ele é diferente dos demais homens que vi saindo com as outras meninas, em nenhum momento ele avançou o sinal, até depois de chegarmos ele não ousou forçar nada comigo. Eu estaria sonhando? Eh, pode ter sido sim apenas um sonho. E que sonho perfeito foi esse.
Entretanto estou aqui no meu refúgio. Isolada no meu pequeno e humilde espaço sala; quarto; cozinha e banheiro, ao menos eu tenho uma banheira para me afogar quando me pegar pensando em Gustavo. Ah... seu nome é Gustavo, e, a maneira que ele me disse seu nome, foi como um sussurro quente na pele do meu rosto.
Agora eu preciso relaxar, preciso de um banho para apagar todas as lembranças boas e encarar a realidade do dia seguinte e ainda mais seis matérias na faculdade.
Como é confortante sentir a água passear pelo meu corpo, seria delicioso se fosse as mãos dos meus olhos azuis. Preciso esquece-lo ao menos por algumas horas, o que vier amanhã é lucro ou somente mais um trocado preso à minha calcinha. Ainda bem que sábado está perto, tanto a fazer: pintar o cabelo, manicure e pedicure, drenagem linfática e uma boa massagem relaxante com Yon Chun, chinês maravilhoso na arte de desatar os nós no meu corpo, o terrível é que cada seção custa setenta dólares, confesso que é um rombo no meu orçamento, contudo, compensatório.
Campainha? A essa hora? Quem pode ser?
Mas que insistente!
- Já vai, calma! - gritei me enrolando na toalha.
Novamente a insistência, eu juro que desligo essa campainha, juro!
- Calma! Já estou indo. Droga! - berrei.
Atravessei, o meu minúsculo quarto até a sala, irritadíssima e com os cabelos pingando.
- Eu disse, calma - bufei enquanto abria a porta.
E um imenso buquet de rosas vermelhas brotou na minha frente seguido de uma voz tranquila e suave:
- Desculpe-me pela insistência, não consegui esperar o sol nascer.
Era Gustavo atrás de todas aquelas rosas.
- Você? - perguntei surpresa.
- Acho que atrapalho, eu busco você na faculdade amanhã, se quiser - indagou com olhar triste.
Segurando o buquet com uma das mãos, o puxei pela camisa com a outra forçando-o a entrar.
- Nem pense em ir embora! - exclamei olhando dentro daquele mar azul.
De imediato seus braços me envolveram, seu beijo me acendeu. Nossos corpos refletiam a luz da lua e eu não tive força para enfrentar as seis aulas na faculdade.

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