sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Escolha de Rebecca

Então aquele homem de olhos azuis apareceu para me ver dançar. Sentou na melhor mesa da boate, bem na frente da pista de dança. A forma como ele me encarava era tão direta, tão intensa, que nem conseguia dar um passo sem olhar para aqueles olhos furtivos. Tentei fazer o meu melhor, a melhor apresentação seria a minha. "Faça parecer sensual, seja ousada para ele", pensei.
Ser garota striper tem lá as suas desvantagens, todos os homens acham que se é uma garota de programa, mas isso eu não faço. Dediquei tanto tempo da minha vida em ajudar a minha avó que assim que ela faleceu fui para a cidade grande tentar ganhar a vida e a única coisa que consegui foi ser striper em uma boate chique e com fama de "prostíbulo", porém eu era a única menina que não se interessava por isso. Recebi várias propostas, quantias altas foram me oferecidas, nenhuma eu aceitei. Sempre pensei em me entregar para aquele que me fizesse parar o coração, perder o rumo. Nunca apareceu esse alguém e eu nem faço tanta questão em procurar.
Apesar que esse homem foi diferente, meu coração não parou, mas minhas pernas tremeram. Sinto-me tão tola, estou com vinte e dois anos e pareço uma adolescente quando penso naquele homem lá fora, na maneira como me encarava, pareceu investir em mim.
- Rebecca, chegou isso aqui pra você - gritou Marluce no meu camarim.
- O que é? - perguntei.
- Rosas. E vermelhas! Provavelmente o cara deve estar apaixonado - disse-me de maneira sarcástica.
- Mais outro cara sem noção. Pode ficar pra você - falei, ignorando as flores.
- Eu não quero isso. Mas leia o cartão, talvez te interesse - Marluce falou soltando as rosas na minha penteadeira.
Hesitante peguei o cartão preso as rosas e dizia com uma caligrafia perfeita: Dançou divinamente, pena que não foi apenas para mim! Ass: Olhos azuis.
Sai correndo do camarim com as rosas em uma das mãos e o vi sentado no mesmo lugar e levava uma taça de vinho à boca, lindo, perfeito.
- Oi. São suas? - perguntei ofegante.
- Que bom tê-las recebido, sente-se.
Sua voz era suave, calma. Dessa vez senti meu coração bater mais rápido.
- Você não parece fazer parte disso aqui. Foi a única coisa que conseguiu? - perguntou.
- Sim, mas estou em busca de outra coisa. Às vezes a vida não nos dá escolhas.
- Mas você escolheu trabalhar aqui sem se vender.
- Foi apenas uma condição imposta por mim, bem que tentaram me corromper. E acho que ainda tenho princípios.
Ele sorriu para mim, tomando minha mão e beijando meu punho, e falou olhando dentro dos meus olhos:
- Todos nós temos escolhas, eu te escolhi e sei que você me escolheu também.
E então seu beijo ardeu em meus lábios me fazendo escolher entregar minha alma àquele homem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário